Com a chegada dos meses mais quentes e o início da primavera, volta também um perigo para animais de companhia e frequentadores de zonas florestais em Portugal: a lagarta-do-pinheiro. Pequena, aparentemente inofensiva, mas extremamente perigosa, esta praga pode provocar reações graves em humanos e até situações fatais em cães.
O que é a lagarta-do-pinheiro?
A Thaumetopoea pityocampa é um inseto conhecido por atacar sobretudo pinheiros e cedros. Entre dezembro e maio, as larvas desenvolvem-se nas copas das árvores, formando ninhos brancos de aspeto sedoso.
Quando atingem determinada fase do ciclo de vida, descem para o solo em fila, num comportamento característico que deu origem ao nome “processionária”. É precisamente nesta fase que o risco de contacto com pessoas e animais aumenta significativamente.
Porque são consideradas um perigo?
A Polícia de Segurança Pública veio esta semana alertar para o perigo, que está nos milhares de pelos microscópicos que cobrem o corpo destas lagartas. Estes pelos libertam toxinas altamente urticantes, capazes de provocar reações severas apenas com o contacto ou até pela dispersão no ar.
As consequências podem variar entre irritações ligeiras e reações alérgicas graves.
Sintomas em humanos
O contacto com a lagarta-do-pinheiro pode provocar:
- comichão intensa na pele
- manchas vermelhas e urticária
- inflamação e inchaço
- irritação ocular
- dificuldades respiratórias em casos mais graves
Riscos para cães e outros animais
Os cães são particularmente vulneráveis porque exploram o ambiente com o focinho e a boca. Ao cheirar ou tentar morder as lagartas, podem sofrer reações muito graves, tornando-se um perigo para estes.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- inchaço intenso na boca e língua
- dor e salivação excessiva
- necrose dos tecidos na língua ou focinho
- dificuldades respiratórias
- choque anafilático em casos extremos
Sem tratamento imediato, as consequências podem ser fatais.
Onde é mais comum encontrar esta praga?
A presença da Thaumetopoea pityocampa é frequente em áreas com pinheiros e cedros, incluindo parques, zonas florestais, jardins urbanos e caminhos rurais. Os ninhos brancos nas copas das árvores são um dos sinais mais evidentes da infestação.
Durante a fase de descida das lagartas para o solo, o risco de encontro com pessoas e animais aumenta, sobretudo em trilhos e áreas verdes.
Como prevenir o contacto?
A prevenção é fundamental para evitar acidentes. Algumas medidas simples podem fazer a diferença:
- evitar tocar nas lagartas ou nos ninhos
- manter cães e gatos afastados de zonas com pinheiros infestados
- vigiar atentamente os passeios em parques ou áreas florestais
- informar as autoridades locais quando forem identificados ninhos
A remoção dos ninhos pode ser feita por equipas especializadas ou através de métodos mecânicos, como o corte e destruição controlada, sempre com equipamento de proteção adequado.
O que fazer em caso de contacto?
Se houver contacto com as lagartas ou com os seus pelos urticantes, é importante agir rapidamente. A zona afetada deve ser lavada com água abundante e deve procurar-se assistência médica ou veterinária o mais depressa possível.
No caso dos cães, qualquer suspeita de contacto deve ser tratada como uma emergência veterinária.
Um perigo sazonal que exige atenção
Todos os anos, entre o inverno e a primavera, a lagarta-do-pinheiro volta a representar um risco sério para pessoas, animais e ecossistemas. A vigilância, a prevenção e a informação são as melhores ferramentas para evitar acidentes e proteger tanto os animais de companhia como quem frequenta espaços naturais.



