Um caso insólito está a despertar curiosidade nas redes sociais e no mundo da proteção animal: um cachorro nasceu com o pelo verde num abrigo na Roménia. Apesar do impacto visual e da surpresa inicial, a explicação científica mostra que este fenómeno, embora raro, é perfeitamente natural e inofensivo.
Tudo começou quando a organização Do Good foi alertada para o abandono de uma cadela de grande porte num terreno em Solca. Ao chegar ao local, a equipa encontrou a mãe, que se mostrou dócil e colaborante.
Pouco depois, os voluntários perceberam que a cadela não estava sozinha. Num barracão próximo, encontravam-se três cachorros recém-nascidos, ainda de olhos fechados e com menos de uma semana de vida. A família foi imediatamente transportada para o centro de resgate, onde recebeu cuidados médicos e abrigo do frio.
Foi durante os exames veterinários que surgiu a grande surpresa: um dos cachorros apresentava pelo verde.
Porque nascem cães com pelo verde?
Apesar de parecer extraordinário, o fenómeno tem uma explicação científica clara. A tonalidade esverdeada deve-se à biliverdina, um pigmento presente na bílis. Este mesmo pigmento é responsável pela cor esverdeada das nódoas negras durante o processo de cicatrização.
Durante a gestação, os cachorros desenvolvem-se em sacos amnióticos individuais dentro do útero. Em alguns casos, se houver uma libertação mais significativa de mecónio — as primeiras fezes do mamífero ainda no útero — a biliverdina pode misturar-se com o líquido amniótico. Quando isso acontece, o pigmento pode tingir temporariamente o pelo verde, sobretudo se este for de cor clara.
Como cada cria está protegida no seu próprio saco amniótico, a condição pode afetar apenas um dos cachorros da ninhada, o que explica porque apenas um nasceu verde.
A cor verde é perigosa?
A resposta é simples: não. A pigmentação não representa qualquer risco para a saúde do animal. Trata-se apenas de uma alteração temporária da cor do pelo, que desaparece gradualmente à medida que o cachorro cresce e o pelo é substituído.
Após avaliação veterinária, foi confirmado que o pequeno cão está saudável, tal como os seus irmãos e a mãe.
Um fenómeno raro, mas não único
Embora pouco comum, este tipo de situação já foi registado noutras partes do mundo. A raridade do acontecimento deve-se à combinação específica de fatores necessários para que o pigmento entre em contacto com o pelo do recém-nascido.
Casos semelhantes têm sido documentados ocasionalmente na literatura veterinária, reforçando que, apesar do impacto visual, não se trata de uma anomalia genética nem de um problema clínico.
Final feliz à vista
Atualmente, a mãe e os três cachorros permanecem sob os cuidados da organização, onde estão a crescer, a socializar e a preparar-se para futura adoção. O pequeno “cão de pelo verde” poderá perder a sua tonalidade peculiar nas próximas semanas, mas dificilmente perderá o destaque que conquistou.
Este episódio serve também como lembrete da importância do resgate animal e da intervenção atempada em casos de abandono — porque, por vezes, as histórias mais improváveis começam com um simples gesto de ajuda.




