O cuidado com os animais de companhia em Portugal está a entrar numa nova fase. A digitalização começa a ganhar espaço no quotidiano dos tutores, com um interesse cada vez maior na utilização de apps móveis e dispositivos wearables para acompanhar a saúde e o bem-estar dos seus companheiros de quatro patas.
De acordo com o estudo PetPulse Insights – Laços, Rotinas & Consumo, desenvolvido pela UPPartner, 40% dos tutores portugueses manifestam interesse em recorrer a apps e wearables para monitorizar os seus animais. No entanto, apenas 23% afirmam já utilizar alguma solução digital.
Este desfasamento revela um momento de transição no setor pet: existe curiosidade e abertura à inovação, mas a integração plena da tecnologia nas rotinas ainda está numa fase inicial.
GPS lidera preferência entre os dispositivos
Entre os tutores que já adotaram tecnologia, os dispositivos de geolocalização (GPS) são os mais utilizados. A principal motivação é reforçar a segurança dos animais e reduzir a ansiedade associada a fugas ou desaparecimentos.
Por outro lado, soluções mais avançadas — como monitorização de atividade física, comportamento ou indicadores de saúde — continuam a registar uma adesão limitada, permanecendo numa fase embrionária no mercado nacional.
Quem está mais recetivo à tecnologia pet?
O estudo, que envolveu 483 tutores em todo o país, indica que o interesse pelas apps é mais forte em contextos urbanos, junto de tutores mais jovens e pertencentes a classes socioeconómicas médias e altas.
Ainda assim, a decisão de compra é influenciada por vários fatores:
- Preço dos dispositivos
- Perceção de complexidade tecnológica
- Conforto do animal
- Dificuldade em identificar benefícios práticos no dia a dia
Ou seja, a tecnologia só conquista espaço quando demonstra utilidade real e facilidade de integração na rotina familiar.
Tecnologia como complemento — não substituto — da relação
Os dados apontam para uma tendência clara: os tutores valorizam soluções digitais que reforcem o vínculo com o animal e facilitem decisões informadas sobre saúde e prevenção. A tecnologia deixa de ser vista como um simples gadget e passa a ser encarada como ferramenta de apoio.
A integração entre apps, histórico clínico e acompanhamento veterinário surge como um dos caminhos mais promissores para aumentar a adoção. Este modelo híbrido pode transformar o interesse em utilização efetiva, criando um ecossistema digital alinhado com as necessidades reais das famílias.
O futuro do cuidado animal será híbrido
Tal como aconteceu na saúde humana, a digitalização no setor pet tende a crescer de forma progressiva e sustentável, à medida que responde a necessidades concretas e simplifica processos.
O futuro aponta para um modelo que combina presença física, vínculo emocional e tecnologia inteligente. O sucesso das apps dependerá menos da inovação isolada e mais da sua capacidade de se integrar naturalmente na vida dos tutores.
A transformação digital no cuidado animal já começou — e tudo indica que será cada vez mais parte integrante da forma como os portugueses protegem, acompanham e promovem o bem-estar dos seus animais de companhia.




