Portugal acaba de dar um passo histórico na inclusão de pessoas com deficiência visual. Pela primeira vez, um cão-guia foi oficialmente atribuído a uma utilizadora menor de idade, abrindo caminho a uma nova realidade para crianças e adolescentes cegos no país. A protagonista deste momento marcante chama-se Gabriela, tem 14 anos, e recebeu Vintage, uma cadela treinada para a acompanhar no dia a dia, promovendo maior autonomia, segurança e liberdade.
A entrega da nova dupla aconteceu durante a XI Gala da Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual, realizada em Caldas de Penacova. O momento simboliza muito mais do que uma conquista individual: representa uma mudança importante na forma como Portugal encara o acesso precoce a cães-guia para jovens com deficiência visual.
Primeiro cão-guia para uma menor em Portugal marca nova etapa na inclusão
Desde 1999, a Escola de Cães-Guia para Cegos, sediada em Mortágua, já formou mais de 300 duplas em Portugal. No entanto, até agora, todos os cães-guia tinham sido atribuídos exclusivamente a adultos.
O caso de Gabriela inaugura uma nova fase, demonstrando que também os adolescentes podem beneficiar deste apoio especializado, desde que exista preparação adequada e acompanhamento contínuo.
A atribuição de um cão-guia a um menor exige um processo mais complexo do que o habitual. Não se trata apenas de ensinar o animal a orientar o utilizador. É necessário garantir que o cão se adapta ao ambiente escolar, à dinâmica familiar, às rotinas sociais e às necessidades específicas de uma pessoa ainda em fase de crescimento e desenvolvimento.
Formação internacional tornou este momento possível
Para concretizar este projeto pioneiro, a associação portuguesa contou com a colaboração da Fondation Frédéric Gaillanne, uma fundação francesa reconhecida internacionalmente pela formação de cães-guia para crianças e adolescentes cegos.
Antes de receber Vintage, a menor Gabriela participou em várias etapas de preparação em França, incluindo avaliações práticas e testes de autonomia. O objetivo passou por confirmar que a jovem tinha capacidade para assumir as responsabilidades associadas à convivência diária com um cão-guia.
Só depois dessa fase avançou a formação da dupla, num trabalho conjunto pensado para criar confiança, comunicação e adaptação mútua.
Muito mais do que mobilidade: os benefícios de um cão-guia
Os cães-guia desempenham um papel essencial na vida das pessoas cegas ou com baixa visão. Além de facilitarem a mobilidade e a orientação, contribuem para aumentar a independência, a autoconfiança e a integração social.
No caso de menores, o impacto pode ser ainda mais profundo. A presença de um cão-guia ajuda a reduzir barreiras emocionais, melhora a participação em atividades escolares e sociais e promove uma sensação de segurança constante.
Para a menor, Vintage representa precisamente isso: uma nova forma de viver o quotidiano com mais liberdade e autonomia.
Um passo importante para o futuro dos jovens com deficiência visual
Este momento histórico poderá abrir portas a outras famílias e jovens portugueses que aguardam soluções de mobilidade mais inclusivas e adaptadas às suas necessidades.
A atribuição do primeiro cão-guia a uma menor demonstra que Portugal está a evoluir no apoio à deficiência visual e na promoção de uma sociedade mais acessível e inclusiva.
Ao mesmo tempo, reforça a importância do trabalho desenvolvido pelas entidades responsáveis pela formação de cães-guia, cuja missão continua a transformar vidas através da criação de ligações únicas entre pessoas e animais.
Fonte: Diário Coimbra



