A preocupação com a sustentabilidade alimentar tem vindo a crescer entre os consumidores, mas há um tema que continua pouco discutido: o impacto ambiental da alimentação dos cães. Um estudo recente revela que, em alguns casos, a pegada ecológica da ração canina pode ser superior à de muitas dietas humanas, incluindo opções ricas em carne.
A produção de alimentos para cães representa uma fatia relevante do sistema alimentar global. Só os ingredientes usados na ração contribuem de forma significativa para as emissões de gases com efeito de estufa. Em termos globais, alimentar todos os cães pode gerar emissões comparáveis a uma grande parte das provenientes da aviação comercial.
Para cães de porte médio, como collies ou spaniels, uma percentagem considerável das rações analisadas apresenta um impacto climático superior ao de uma alimentação humana vegana e, em alguns casos, até maior do que uma dieta humana fortemente baseada em carne.
Impacto ambiental
Um dos fatores mais determinantes para a sustentabilidade da ração é o tipo de proteína animal utilizada. As rações que recorrem a cortes nobres, como peito de frango ou carne moída de alta qualidade — ingredientes que competem diretamente com o consumo humano — têm uma pegada ambiental significativamente mais elevada.
Por outro lado, subprodutos animais como miúdos e aparas, muitas vezes menos valorizados na alimentação humana, são altamente nutritivos e apresentam um impacto ambiental bastante inferior. Quando bem utilizados, estes ingredientes permitem reduzir desperdício e tornar a alimentação dos cães mais sustentável.

Rotulagem pouco clara dificulta escolhas conscientes
Um dos grandes desafios para os tutores é a falta de transparência na rotulagem. Termos genéricos como “carne e derivados de origem animal” não permitem perceber se a ração é composta maioritariamente por cortes de alto valor ou por subprodutos. Esta ambiguidade dificulta escolhas informadas e pode levar a uma perceção errada de sustentabilidade.
Uma rotulagem mais detalhada, que indique claramente a origem e o tipo de proteína utilizada, seria um passo importante para alinhar o mercado com práticas mais responsáveis.
Ração seca, húmida ou crua: qual a mais sustentável?
O formato da alimentação também influencia a pegada ecológica. Em média, as rações húmidas e as dietas cruas tendem a ter um impacto ambiental mais elevado do que as rações secas, devido ao maior consumo de energia na produção, refrigeração, embalagem e transporte.
As dietas sem cereais, frequentemente associadas a uma imagem mais “natural”, também revelam, em muitos casos, uma pegada ambiental superior. Ainda assim, existem exceções: algumas rações húmidas formuladas com subprodutos podem ter um impacto inferior ao de rações secas convencionais.
Proteínas alternativas e dietas à base de plantas
As dietas à base de plantas, quando cuidadosamente formuladas e supervisionadas por profissionais, podem satisfazer as necessidades nutricionais dos cães e apresentar um impacto ambiental ligeiramente inferior ao das dietas à base de carne. No entanto, a diferença é menor do que aquela observada entre rações secas e húmidas.
Outras fontes de proteína, como insetos, estão a ganhar destaque como alternativas mais sustentáveis, embora o seu verdadeiro impacto ambiental ainda esteja a ser avaliado pela comunidade científica.
Como reduzir a pegada ambiental da alimentação canina
Para tutores que procuram opções mais sustentáveis, algumas estratégias podem fazer a diferença:
- Preferir rações secas de qualidade, sempre que adequadas ao animal
- Optar por produtos que utilizem subprodutos animais em vez de cortes nobres
- Avaliar cuidadosamente dietas cruas ou sem cereais
- Procurar marcas com maior transparência na rotulagem e compromisso ambiental
Pequenas escolhas, grande impacto
A variação do impacto ambiental entre diferentes rações para cães é enorme, muito superior à diferença entre dietas humanas. Isto significa que escolhas informadas podem reduzir significativamente a pegada ecológica associada aos animais de companhia.



