Os cães de focinho achatado conquistaram popularidade nos últimos anos, mas um novo estudo científico vem reforçar um alerta importante: raças braquicefálicas apresentam risco elevado de desenvolver problemas respiratórios graves.
A investigação, publicada na revista PLOS One e conduzida por investigadores da Universidade de Cambridge, analisou quase 900 cães de 14 raças diferentes para avaliar a prevalência da Síndrome das Vias Aéreas Obstrutivas Braquicefálicas (BOAS).
O que é a síndrome BOAS?
A BOAS é uma doença crónica que afeta sobretudo cães com crânio curto e focinho achatado. Nestes animais, alterações anatómicas no trato respiratório superior provocam o estreitamento das vias aéreas.
As consequências podem incluir:
- Respiração ruidosa
- Chiado frequente
- Dificuldade em praticar exercício
- Intolerância ao calor
- Problemas durante o sono
- Em casos graves, necessidade de cirurgia
Embora muitas vezes encarado como “normal” em determinadas raças, nomeadamente em cães de focinho achatado, o ressonar constante ou a respiração ofegante não são características inofensivas — são sinais clínicos.
As raças mais afetadas por Problemas Respiratórios Graves
O estudo comparou 14 raças com três das mais conhecidas pelo seu perfil braquicefálico (cães de focinho achatado):
- Pug
- Buldogue Francês
- Buldogue Inglês
Estas continuam a apresentar elevada prevalência da síndrome. No entanto, a investigação revelou que o risco não se limita apenas a estas raças emblemáticas.
Outras raças analisadas incluíram:
- Boxer
- Staffordshire Bull Terrier
- Chihuahua
- Shih Tzu
Os resultados mostraram que a prevalência e a gravidade variam não só entre raças, mas também entre indivíduos da mesma raça.
Fatores que agravam o risco
Para além da conformação craniana, os investigadores identificaram outros fatores que aumentam significativamente a probabilidade de desenvolver BOAS:
- Narinas estreitas
- Pescoço mais espesso
- Excesso de peso
- Estrutura corporal compacta
O excesso de peso revelou-se particularmente preocupante, uma vez que a obesidade pode agravar ainda mais a dificuldade respiratória.
Como foi feita a avaliação?
Os cientistas avaliaram 898 cães através de medições detalhadas do crânio, focinho, corpo e pescoço, além de exames clínicos específicos para identificar sintomas respiratórios.
Cada animal foi classificado numa escala de zero a três:
- Grau 0: ausência ou sinais mínimos
- Grau 1-2: sintomas moderados
- Grau 3: dificuldade respiratória significativa e limitação ao exercício
Este sistema permitiu comparar a gravidade da síndrome de forma objetiva.
O que isto significa para tutores e criadores de cães de focinho achatado?
A popularidade crescente de cães de focinho curto levanta questões éticas e de bem-estar animal. Muitos tutores interpretam a respiração ruidosa como algo típico da raça, quando pode representar sofrimento silencioso.
Especialistas recomendam:
- Evitar a reprodução de animais com sinais evidentes de dificuldade respiratória
- Manter o peso ideal
- Realizar avaliações veterinárias regulares
- Redobrar cuidados em dias quentes
- Procurar aconselhamento antes de adquirir uma raça braquicefálica




