Num ano marcado por desafios, os dados mais recentes revelam uma realidade preocupante: as adoções de animais em Portugal caíram 8% em 2024. De acordo com o relatório anual do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), foram adotados 27.957 cães e gatos, um número significativamente inferior ao de anos anteriores.
Apesar de terem sido recolhidos mais de 40 mil animais errantes no último ano, as adoções de animais ficaram muito aquém das necessidades. Estima-se que em Portugal existam cerca de 100 mil cães a viver nas ruas — um número alarmante que exige medidas urgentes.
Os Centros de Recolha Oficial (CRO) e as associações de proteção animal têm feito um esforço notável para recolher, cuidar e encaminhar para adoção o maior número possível de animais. No entanto, com os canis sobrelotados e as adoções em queda, o sistema enfrenta uma enorme pressão.
Embora o número de recolhas também tenha caído 10% face a 2023, tal não significa uma melhoria na situação. Segundo o médico veterinário Ricardo Lobo, os canis estão cheios e com poucas vagas disponíveis. A rotatividade é baixa, e muitos animais permanecem alojados por longos períodos, dificultando novas admissões.
Outro fator preocupante é o aumento dos chamados animais assilvestrados, que vivem sem contacto com humanos e são muito difíceis de capturar. Estes animais não estão a ser contabilizados nos dados oficiais, mas a sua presença é cada vez mais sentida em vários concelhos.
Detenção Responsável e Esterilização: Chaves para o Futuro
Para combater o problema de raiz, os especialistas defendem uma maior regulação da detenção de animais, penalizações mais severas para quem não cumpre as obrigações legais, como a colocação de microchip, e investimento contínuo na esterilização.
Apesar da queda nas adoções de animais, há um dado positivo: o número de novos registos no SIAC (Sistema de Informação de Animais de Companhia) diminuiu. Isto pode indicar um abrandamento na reprodução e abandono de animais, fruto do trabalho de sensibilização e das campanhas de esterilização levadas a cabo pelos CRO e pelas associações.
Enquanto Portugal enfrenta estes desafios, países como a Alemanha apresentam cenários bem diferentes. O Tierheim Berlin, o maior centro de adoções de animais da Europa, recebe cerca de 12 mil animais por ano e tem uma taxa de adoção bastante elevada. Lá, todos os animais são registados, os tutores pagam impostos pelos seus cães e raramente se vêem animais abandonados nas ruas.
Municípios com maior número de adoções em 2024
- Santo Tirso – 854 adoções
- Famalicão – 777 adoções
- Braga – 621 adoções
Municípios com mais animais recolhidos
- Porto – 1.546
- Famalicão – 1.059
- Santo Tirso – 1.012
A queda nas adoções de animais em Portugal é um sinal claro de que é preciso reforçar campanhas de sensibilização e apoiar quem já trabalha diariamente para mudar este cenário. Adotar um animal é um ato de amor, mas também de responsabilidade.
Se está a considerar ter um animal de companhia, opte pela adoção responsável. Há milhares de cães à espera de um lar — e talvez um deles esteja à sua espera.

Fonte: JN



