Com a chegada dos meses mais quentes, há um risco silencioso que regressa aos parques, jardins e zonas florestais em Portugal — a lagarta do pinheiro. Apesar do seu aspeto aparentemente inofensivo, este pequeno inseto pode ser um perigo, provocar reações graves e até fatais nos cães em questão de minutos.
À medida que os passeios ao ar livre se tornam mais frequentes, aumenta também a probabilidade de contacto acidental. Saber identificar este perigo e agir rapidamente pode fazer toda a diferença.
O que é a lagarta do pinheiro e como reconhecê-la?
A lagarta do pinheiro distingue-se facilmente pelo seu comportamento único: desloca-se em fila, formando uma espécie de procissão no solo. Tem um corpo castanho-escuro coberto por pelos finos, que são precisamente a sua maior ameaça.
É comum encontrá-la em zonas com pinheiros, sobretudo entre o final do inverno e o início da primavera. Outro sinal de alerta são os ninhos visíveis nas árvores — bolsas brancas nas copas dos pinheiros que indicam a presença destas lagartas na área.
Perigo para os cães
O verdadeiro perigo está nos seus pelos microscópicos, altamente urticantes, que libertam uma toxina agressiva. Estes pelos podem afetar a pele, os olhos e, principalmente, a boca dos cães.
Como os cães exploram o mundo com o focinho, é frequente cheirarem, lamberem ou até tentarem ingerir estas lagartas. O resultado pode ser devastador: inflamações intensas, lesões na língua e, em casos mais graves, necrose dos tecidos.
Mesmo sem contacto direto, os pelos podem ser transportados pelo ar, o que significa que apenas estar próximo de uma zona infestada já representa um risco.
Sintomas de alerta: como saber se o seu cão foi afetado?
Os sinais surgem rapidamente e exigem atenção imediata. Entre os mais comuns estão:
- Salivação excessiva
- Inchaço da língua, lábios ou focinho
- Dor intensa e comportamento agitado
- Vómitos
- Dificuldade em respirar
- Alterações na cor da língua
Em situações mais graves, pode ocorrer choque anafilático, colocando a vida do animal em risco.
O que fazer imediatamente em caso de contacto?
Perante a suspeita de contacto com a lagarta do pinheiro, o tempo é crucial. A primeira ação deve ser lavar a zona afetada com água abundante, sem esfregar, para evitar espalhar ainda mais os pelos tóxicos.
É fundamental não tocar diretamente na área afetada, já que os pelos também são perigosos para humanos. Deve ainda impedir que o cão lamba ou friccione a zona.
Depois, procure assistência veterinária com urgência — mesmo que os sintomas pareçam ligeiros numa fase inicial.
Como prevenir este risco durante os passeios
A prevenção é a melhor forma de proteger o seu cão. Durante as épocas de maior incidência:
- Evite zonas com pinheiros
- Mantenha o cão à trela
- Esteja atento ao chão e às árvores
- Identifique ninhos ou sinais de infestação
Caso detete focos de lagartas, é importante alertar as autoridades locais.
Um risco sazonal que exige atenção constante
A lagarta do pinheiro é um perigo real, mas muitas vezes subestimado. A combinação entre curiosidade natural dos cães e a presença destes insetos torna os passeios potencialmente arriscados.
Informação, vigilância e ação rápida são as melhores ferramentas para evitar consequências graves. Ao reconhecer os sinais e saber como agir, está a dar um passo essencial para garantir a segurança e o bem-estar do seu companheiro de quatro patas.
Fonte: Dogs PT Magazine

