A preocupação dos portugueses com a saúde animal tem vindo a aumentar de forma consistente. No entanto, os dados mais recentes revelam que o cuidado veterinário em Portugal continua a ser maioritariamente reativo. Apesar de a maioria dos tutores levar os seus animais ao veterinário pelo menos uma vez por ano, apenas uma pequena percentagem o faz com um verdadeiro foco na prevenção.
Um estudo recente sobre hábitos, rotinas e consumo na área da saúde animal mostra que a ida ao veterinário está, na maioria dos casos, associada a necessidades pontuais como vacinação e desparasitação. Os check-ups regulares, exames de rotina e avaliações comportamentais continuam a ser práticas pouco frequentes, o que evidencia uma literacia em saúde animal ainda em desenvolvimento.
A cultura da reação ainda domina os cuidados veterinários
Embora exista consciência sobre a importância do acompanhamento veterinário, muitos tutores só procuram ajuda profissional quando surgem sintomas visíveis ou problemas de saúde. Este comportamento reflete não apenas hábitos enraizados, mas também obstáculos reais, como o custo dos serviços, a dificuldade de acesso a algumas clínicas e o stress que as visitas provocam nos animais.
A perceção de preços elevados e a falta de experiências clínicas adaptadas às necessidades emocionais dos animais são apontadas como fatores que afastam os tutores de uma abordagem mais preventiva. Em especial, animais ansiosos, idosos ou com mobilidade reduzida tornam cada deslocação ao veterinário um desafio acrescido.
Serviços ao domicílio e especialização ganham relevância na saúde animal
Um dos sinais mais claros de mudança no panorama da saúde animal em Portugal é o crescimento dos serviços veterinários ao domicílio. Cada vez mais tutores optam por este modelo, procurando soluções mais cómodas, menos stressantes e ajustadas ao ritmo das famílias e dos animais. Esta tendência sugere que a prevenção pode ganhar maior adesão quando acompanhada de formatos de cuidado mais flexíveis e empáticos.
Paralelamente, observa-se um aumento da procura por especialidades médico-veterinárias, o que demonstra uma maior valorização da qualidade de vida dos animais e da confiança no aconselhamento profissional. Os veterinários continuam a ser a principal fonte de informação e orientação para os tutores, desempenhando um papel essencial na promoção da prevenção.
Seguros de saúde animal podem acelerar a mudança
Outro dado relevante prende-se com o ainda reduzido número de tutores com seguro de saúde animal, embora exista uma intenção crescente de adesão no futuro. A expansão destes seguros poderá ser decisiva para tornar os cuidados preventivos mais acessíveis, previsíveis e integrados no dia a dia das famílias.
Ao permitir uma melhor gestão financeira e facilitar o acesso a consultas regulares e exames de rotina, os seguros podem ajudar a normalizar a prevenção como parte essencial dos cuidados de saúde animal, à semelhança do que acontece na medicina humana.
Um setor em transição rumo à prevenção
Portugal encontra-se num momento de viragem no que diz respeito à saúde animal. Os tutores estão mais informados, mais atentos e mais disponíveis para investir no bem-estar dos seus animais. No entanto, para que a prevenção se torne uma prática comum, é necessário reforçar a literacia, inovar nos modelos de cuidado e criar experiências clínicas mais acessíveis e centradas nas reais necessidades dos animais e das famílias.
A prevenção tem potencial para definir o futuro da medicina veterinária em Portugal. Com mais informação, soluções ajustadas e uma abordagem empática, será possível passar de uma lógica de reação para um verdadeiro cuidado contínuo, promovendo uma vida mais longa, saudável e equilibrada para os animais de companhia.




